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sábado, 29 de abril de 2017

Ferramentas de gestão de pesquisa disponíveis para os pesquisadores

Atualmente, muitas ferramentas da web estão disponíveis aos autores, pesquisadores e estudantes. Em um contexto de pesquisa, tais ferramentas podem ser utilizadas para buscar informação, comunicar, colaborar, organizar, divulgar e mensurar a produção de pesquisa de forma eficaz.

A imagem acima refere-se a uma iniciativa denominada “Inovações em Comunicação Científica” mantida pela Universidade de Utrecht (NE), com o objetivo de apresentar inovações em comunicação científica e explicitar como essas inovações estão mudando os fluxos de trabalho de pesquisa.
Descoberta, análise, escrita, publicação, divulgação e avaliação são elementos do fluxo de atividades do pesquisador/autor e há várias ferramentas gratuitas (ou não) ligadas à gestão das atividades de pesquisa. Exemplos típicos de fluxo de trabalho de pesquisa vão do tradicional, moderno, inovador ao experimental, dependendo do perfil do pesquisador. A seguir, algumas dessas ferramentas são apresentadas.


FERRAMENTAS TRADICIONAIS: 
Workflows - Traditional

Web of Science – Base de dados multidisciplinar mantida pela Thomson Reuters que apresenta artigos científicos e de revisão, trabalhos de eventos e patentes selecionados, permitindo a pesquisa por documentos e citações, fornecendo métricas para comparar citações de artigos, autores e revistas tais como fator de impacto, índice h, índice de imediaticidade, meia vida, etc. Disponível à comunidade USP. http://apps.webofknowledge.com/ 
Scopus – Base de dados multidisciplinar mantida pela Elsevier com características semelhantes à Web of Science, que apresenta artigos científicos e de revisão, trabalhos de eventos, patentes e websites selecionados, permitindo pesquisar documentos e citações, e oferecendo métricas como o SJR (SCImago Journal Rank), IPP (Impact per Publication), SNIP (Source Normalized Impact per Paper), índices que permitem comparar artigos, revistas e autores. Está disponível à comunidade USP. http://www.scopus.com/
SPSS – Software proprietário utilizado para análise estatística que atualmente inclui mineração de dados. http://www-01.ibm.com/software/analytics/spss/
EndNote Web – Ferramenta de organização de referências e citações, disponível à comunidade USP por meio da Web of Science http://ip-science.thomsonreuters.com/m/pdfs/mgr/portugueseenw.pdf
Nature – Grupo editorial internacional dedicado à publicação de artigos científicos que revelam tendências e novidades científicas. http://www.nature.com/
ResearcherID – Identificador único e persistente para pesquisadores mantido pela Thomson Reuters que distingue um pesquisador de outro e permite agregar suas publicações mediante cadastro prévio. http://www.researcherid.com/
Scopus Author ID – Identificador único e persistente para pesquisadores mantido pela Elsevier que distingue um pesquisador de outro e permite agregar suas publicações a partir do momento em que um documentos é cadastrado na Base Scopus. Não é necessário registro prévio.
Journal Impact Factor – JCR – Ferramenta analítica mantida pela Thomson Reuters que permite analisar e ranquear as revistas científicas de acordo com índice de citações, fator de impacto, imediaticidade, meia vida, entre outras métricas analíticas, com base em dados da Web of Science. Atualmente apresenta seus resultados por meio do InCites. Disponível à comunidade USP. https://jcr.incites.thomsonreuters.com/

FERRAMENTAS MODERNAS:
Workflows - Modern (1)

Google Scholar – Sistema de descoberta de artigos e trabalhos científicos gratuito mantido pelo Google, que também fornece métricas de citação. https://scholar.google.com.br/
rOpen Sci – Fornece acesso a dados científicos, de texto completo de artigos de revistas a repositórios de dados, incluindo métricas de impacto em tempo real. https://ropensci.org/
GoogleDocs – Pacote de aplicativos do Google que funciona totalmente online diretamente no browser.
RefWorks –  Ferramenta de gestão de referências e citações mantida pela Proquest por meio da interface Flow. Disponível a toda a comunidade da USP. flow.proquest.com
ArXiv – Repositório de documentos científicos em acesso aberto criado em 1991. Permite depósito de artigos e trabalhos que ficam disponíveis em texto completo. http://arxiv.org/
CiteUlike – Serviço gratuito de gestão e descoberta de referências. http://www.citeulike.org/
PLOS – Editora internacional sem fins lucrativos que publica revistas em acesso aberto. https://www.plos.org/
IR –  Institutional Repository – Biblioteca digital de uma universidade, instituto ou centro de pesquisa que reúne sua produção intelectual (científica, acadêmica, artística e técnica) em acesso aberto. Lista de repositórios de acesso aberto: http://repositories.webometrics.info/ A UFRGS possui o Repositório Digital LUME http://www.lume.ufrgs.br/
Eigenfactor – Provê uma interface de análise de métricas de publicação científica. http://www.eigenfactor.org/
ALM – Article-Level Metrics –  Altmetrics – Refere-se ao conjunto de métricas em nível do artigo científico com foco no acompanhamento de citações por meio do rastreio de um conjunto de fontes tais como HTML, XML, e PDF downloads, uso da PubMed Central, citações no Scopus, Web of Science e CrossRef, serviços de gestão de referências CituULike e Mendeley, Researchblogging.org e Nature Blogs, além das plataformas de mídias sociais Twitter e Facebook.
SNIP – Source Normalized Impact per Paper – Mensura impacto contextualizado de citação com base no número total de citações em um campo de estudos, permitindo ao pesquisador selecionar periódicos de diferentes áreas temáticas com base em fator de impacto normalizado. http://www.journalmetrics.com/

FERRAMENTAS INOVADORAS:  

Mendeley – Ferramenta gratuita de gestão de referências e citações que também funciona como rede de conhecimento e permite armazenar e compartilhar documentos. https://www.mendeley.com/
Zooniverse – Plataforma colaborativa de pesquisa baseada no esforço voluntário. https://www.zooniverse.org/
Hivebench – Permite planejar, publicar, rastrear, organiza e encontrar pesquisas a partir de uma única plataforma.  https://www.hivebench.com/
Authorea – Editor colaborativo gratuito de pesquisas. Permite gerir, compartilhar e revisar documentos. https://www.authorea.com/
Colwiz – Ferramenta de gestão de referências gratuita – https://www.colwiz.com/
FigShare – Repositório online que permite armazenar, compartilhar, buscar e gerenciar sua pesquisa na nuvem, controlando seu compartilhamento e disponibilidade de dados ao público – http://figshare.com/
PeerJ – Editor internacional de acesso aberto. https://peerj.com/
ResearchGate –  Rede de pesquisa gratuita que permite criar perfil do pesquisador adicionando suas publicações.  https://www.researchgate.net/home
ORCID – Identificador digital gratuito persistente e único de pesquisador, que permite desambiguar autoria e fornece maior visibilidade à produção científica, sendo interoperável com outros identificadores como o ResearcherID e Scopus Author ID. http://orcid.org/
Peerage of Science – Serviço gratuito de revisão por pares e publicação. https://www.peerageofscience.org/
Altmetrics – Ferramenta de métrica de impacto baseada em citações de artigos e documentos científicos em redes e mídias sociais. Permite acompanhar o impacto externo à academia de influência do trabalho em fontes não científicas como Twitter, Facebook e Blogs. http://altmetrics.org/

FERRAMENTAS EXPERIMENTAIS:

Workflows - Experimental
Sparrho – Canal de novidades de pesquisa para manter-se atualizado e descobrir recomendações. https://www.sparrho.com/
Uthopia Docs – Ferramenta que permite explorar e conectar o conteúdo estático de artigos científicos (PDF) com o mundo dinâmico de conteúdos online. Trabalhando em estreita colaboração com editoras como a Springer, revistas de acesso aberto como eLife e repositórios como PMC, a ferramenta permite que os leitores acessem diretamente os artigos citados (quando disponíveis) – http://utopiadocs.com/
rOpen Sci – Fornece acesso a dados científicos, de texto completo de artigos de revistas a repositórios de dados, incluindo métricas de impacto em tempo real. https://ropensci.org/
IPyton – Ambiente computacional interativo que combina a execução de códigos, rich text, matemática, gráficos e mídias – http://ipython.org/notebook.html
Overleaf – Ferramenta que permite escrever e publicar de modo compartilhado: criar, editar e publicar sua pesquisa, compondo com o WriteLateX, um serviço gratuito para criar, editar e compartilhar idéias científicas – https://www.overleaf.com/
Winnower – – Plataforma de publicação científica em acesso aberto que permite submissão de artigos, revisão por pares, alterações, arquivamento e análise por meio de métricas. https://thewinnower.com/
Kudos – Serviço gratuito que auxilia na visibilidade das pesquisas, permitindo que o trabalho seja encontrado, lido e citado. https://www.growkudos.com/
Publons – Site e serviço gratuito para pesquisadores lançado em 2012 que tem como objetivo registrar, compartilhar, discutir e receber crédito por revisão por pares de publicações acadêmicas. https://publons.com/
Pubpeer – Comunidade online para discussão aberta de resultados de pesquisa que visa melhorar a qualidade da pesquisa – https://pubpeer.com/

quarta-feira, 1 de março de 2017

V REPARQ - ENSINO E PESQUISA EM ARQUIVOLOGIA: cenários prospectivos

Tema:

ENSINO E PESQUISA EM ARQUIVOLOGIA: cenários prospectivos


Local:
Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
Belo Horizonte – MG
Período:
De 07/11/2017 a 10/11/2017
Público alvo:
Professores e Pesquisadores de Arquivologia, Estudantes de Pós-Graduação e Graduação.
Contato:

ENSINO E PESQUISA EM ARQUIVOLOGIA: cenários prospectivos
Os estudos e cenários prospectivos representam uma reflexão ousada e antecipada, mas consciente, que busca orientar a ação com propriedade, amplitude, densidade e profundidade. O processo prospectivo se apresenta como importante e necessário ao permitir:
  • identificar a realidade, considerando as diferentes visões e interpretações dos agentes envolvidos; e
  • desenvolver e implementar, de forma colaborativa e segura, passos estratégicos – passos esses que precisam contemplar os mecanismos, instrumentos, procedimentos, comportamentos e atitudes que envolvem tanto o processo de preparação, quanto a efetiva evolução no tempo, nos contextos e nos espaços.
Estudos e cenários prospectivos compreendem um trabalho de composição e preparação, em que precisam ser dosados vários elementos com a finalidade de colocar-se em condições adequadas para as atividades posteriores, munindo-se daquilo que é necessário para suportar os impactos e usufruir com qualidade e efetividade as circunstâncias convenientes, úteis e benéficas para o coletivo.
Monitoramento e preparação são essenciais para a sobrevivência de um campo científico em um contexto dinâmico de mudanças. A inércia leva ao isolamento e à desativação. Os riscos podem e precisam ser minimizados e afastados, e em contrapartida, as oportunidades podem ser maximizadas e efetivamente aproveitadas. É importante que Arquivologia brasileira monitore e acompanhe esses movimentos dinâmicos.
A V Reunião Brasileira de Ensino e Pesquisa em Arquivologia (V Reparq), ao assumir o seu papel de promotora da interlocução eficiente dos representantes da Arquivologia no Brasil, proporcionando trocas de experiências e vivências adquiridas no âmbito da pesquisa e do ensino na área, representa um ambiente fértil para se pensar os cenários prospectivos para Arquivologia.
Ao propor essa reflexão, a V Reparq reafirma os compromissos assumidos desde a sua primeira edição:
  • fomentar novos patamares à qualidade do ensino e da pesquisa da Arquivologia no país;
  • contribuir para o amadurecimento da área como campo científico, proporcionado maior visibilidade à área;
  • acompanhar e subsidiar a demarcação da Arquivologia, sobretudo com a construção de uma consciência coletiva da comunidade brasileira;
  • colaborar com a consolidação da institucionalização da Arquivologia como campo científico autônomo, porém sem deixar de dialogar com as áreas afins e a sociedade.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Curso de extensão Acervos Fotográficos tem inscrições abertas até 17 de julho

Estão abertas até 17 de julho as inscrições para o curso de extensão Acervos Fotográficos: Organização, Pesquisa e Usos de Documentos Visuais. A atividade visa articular conhecimentos básicos sobre a organização de arquivos e coleções fotográficas, bem como sobre as possibilidades de pesquisa nesses acervos e de curadoria de acervos visuais em projetos culturais. 
Os interessados devem enviar currículo e carta de intenção para o e-mail secadcoc@fiocruz.br. O resultado do processo seletivo será divulgado em 20 de julho no portal da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz). As aulas têm início em 23 de julho e se estendem até 3 de setembro. Ministrado pela pesquisadora Aline Lopes de Lacerta, o curso tem carga horária de 28h. Saiba mais na página dos cursos de extensão da COC.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

VII Encontro de Arquivos Científicos



PROGRAMA PRELIMINAR | VII ENCONTRO DE ARQUIVOS CIENTÍFICOS
Tema: Gestão de documentos e Acesso à informação: desafios e diretrizes para as instituições de ensino e pesquisa.

• 24 de junho de 2015
Entrega de material e visitas técnicas
10h | Visita técnica ao MAST
14h | Visita à FCRB
16h | Conferência de Abertura: Drª Julie McLeod - Northumbria University, Reino Unido

• 25 de junho de 2015:
9.00 – 12.00 | Primeira sessão Plenária: Gestão de documentos e a sua relação com a sociedade.

O compromisso com o acesso às informações produzidas no âmbito da administração pública assumido pelo estado Brasileiro com a promulgação a Lei 12.527/2011, a Lei de Acesso à Informação, implicitamente considera que as organizações do poder público possuem um controle sobre essas informações que produzem e que recebem. Dessa forma, poderíamos igualmente considerar que os documentos são controlados pelos seus organismos produtores em sua fase de produção; de utilização e manutenção; e na fase de destinação. Essa plenária considera a gestão de documentos como o conjunto de ações, procedimentos e operações técnicas envolvendo desde a produção, tramitação, uso e destinação dos documentos visando a sua eliminação ou recolhimento para guarda permanente, e de modo a promover o seu controle continuado. Assim, pretende-se discutir em que medida a relação entre a gestão de documentos e a gestão da informação está efetivamente equalizada no Estado e quais são os parâmetros mínimos para um programa de gestão de documentos que possa assegurar o efetivo acesso às informações e a transparência do Estado.
Coordenação: Lucia Maria Velloso de Oliveira – Fundação Casa de Rui Barbosa/MinC
Conferencistas:
Geoffrey Yeo – University College of London, Reino Unido
José Maria Jardim – Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO)
Renato Tarciso de Sousa – Universidade de Brasília
12h – 14h | Intervalo para almoço
14h – 17h | Sessão de Comunicações Livres
17h – Lançamento de publicações

• 26 de junho de 2015:
9h – 12h | 2ª Plenária: Atividade de pesquisa e a gestão de documentos
As atividades de pesquisa são realizadas em universidades, centros e instituições de pesquisa e em ambientes como laboratórios, núcleos, centros, grupos entre outros, reunindo pesquisadores com diferentes perfis e instituições em torno de um objetivo. A pesquisa, considerada área-fim das instituições, produz uma ampla gama de documentos, de variados gêneros, suportes e tipologias que, para ser realizada, pressupõe o planejamento em etapas e atividades, cujas ações devem ser registradas e rastreadas. Para tal, faz-se necessário o controle dos documentos produzidos durante todo o processo de pesquisa. Efetivamente, para que os documentos produzidos sejam adequados e apropriados é necessário que o Programa de Gestão de Documentos inclua essas atividades como seu objeto de investigação e normatize sua elaboração, manutenção, uso e destinação, avançando na discussão em relação à identificação do que é patrimônio arquivístico institucional em uma organização de pesquisa e de ensino.
Coordenação: José Benito Yárritu Abellás – Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST/MCT)
Conferencistas:
Maria Fernanda Rollo – Universidade Nova de Lisboa
Maria Celina Soares de Mello e Silva – Museu de Astronomia e Ciências Afins/MCT
Lucia Maria Velloso de Oliveira – Fundação Casa de Rui Barbosa/MinC
12h – 14h - Intervalo para almoço
14h – 17h – Sessão de Comunicações Livres.
17h – Solenidade de encerramento

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Ciência transparente


© BEL FALLEIROS
Cada vez mais os pesquisadores são solicitados a armazenar os dados primários de seus estudos em repositórios públicos

Certas transformações ocorrem de forma tão gradativa que só é possível perceber o seu alcance em um momento adiantado do processo. Um desses momentos que parecem cristalizar mudanças aconteceu em março, com a decisão das sete revistas científicas PLoS (sigla para Public Library of Science) de condicionar a aceitação de novos artigos à divulgação por seus autores, em repositórios públicos, dos chamados dados de pesquisa, aquela massa de informações primárias que, uma vez analisada e interpretada, serve de base para as conclusões do paper. A nova regra da PLoS, que se enquadra em uma ampla mobilização de agências de fomento, cientistas e universidades para dar mais transparência à publicação de resultados de pesquisa, não chega a ser propriamente uma novidade. A maioria dos periódicos já recomenda aos autores que disponibilizem os dados e esta recomendação virou exigência há tempos em revistas de genética e de bioinformática, cujos estudos geram gigantescos volumes de informação sobre sequências de DNA e proteínas. Em 2013, o Escritório de Política Científica e Tecnológica do governo norte-americano enviou um memorando às principais agências de fomento estabelecendo o acesso aberto a resultados de pesquisa financiada com dinheiro público, incluindo a oferta dos dados primários em repositórios, salvo restrições de confidencialidade e privacidade pessoal – mas faltou estipular prazos para a ideia sair do papel.
A decisão da PLoS parece criar um ponto de inflexão nessa tendência. “Nosso ponto de vista é simples. Garantir o acesso aos dados subjacentes deve ser parte intrínseca do processo de publicação científica”, justificou Theodora Bloom, diretora editorial da PLoS Biology, da PLoS Computational Biology e da PLoS Genetics. Com mais de 30 mil artigos publicados no ano passado, as revistas PLoS foram criadas ao longo da década de 2000 por uma instituição sem fins lucrativos seguindo um modelo inovador. Publicam artigos apenas on-line e em acesso aberto – ou seja, podem ser consultadas por qualquer pessoa, pela internet, sem cobrar por isso –, mas, graças a um corpo de revisores de primeira linha, alcançaram um fator de impacto comparável aos de publicações tradicionais. A PLoS Medicine, por exemplo, teve um fator de impacto de 15,2 em 2012 – significa dizer que, em média, cada um de seus artigos publicados entre 2010 e 2011 teve 15,2 citações em periódicos indexados em 2012. A concorrente Nature Medicine, do grupo Nature, teve no mesmo período fator de impacto de 24,3. “Como aPLoS é uma referência internacional, a sua decisão vai contribuir para disseminar a ideia do depósito dos dados de pesquisa e criar uma demanda adicional para repositórios e também modelos que financiem essa demanda”, diz Abel Packer, coordenador da biblioteca SciELO Brasil, um programa especial da FAPESP criado em 1998 que reúne quase 300 publicações científicas do Brasil de acesso aberto.
© CERN
Banco de dados da Organização Europeia para Pesquisa Nuclear (Cern), em Genebra
Banco de dados da Organização Europeia para Pesquisa Nuclear (Cern), em Genebra
As novas regras da PLoS geraram dúvidas e algum alvoroço. Dez dias após o início da implementação, seus editores pediram desculpas por pontos ambíguos e esclareceram que nada mudou em relação à natureza dos dados que precisam estar descritos nos artigos – a única preocupação nova é apontar em que banco ou repositório podem ser encontrados dados primários (os arquivos do próprio pesquisador não são uma opção), caso os revisores do artigo ou outros pesquisadores interessados no assunto precisem avaliá-los. Dados primários são entendidos pela PLoS como aqueles que abastecem tabelas e análises estatísticas publicadas no artigo e são indispensáveis para que outros pesquisadores consigam reproduzir os mesmos achados. Dados protegidos por razões de segurança ou de privacidade não estão incluídos na exigência.
As mudanças despertaram reações de quem enxerga nas regras um novo ônus para os pesquisadores. O geneticista David Crotty, editor do programa de publicação de revistas científicas da Oxford University Press, escreveu em seu blog, no portal The Scholarly Kitchen, que a mudança poderá reduzir o número de artigos submetidos às revistas PLoS. “Se a publicação em uma revista PLoS exige que você faça semanas de trabalho adicional para organizar seus dados em uma forma reutilizável ou pelo menos reconhecível, sem falar no custo de hospedar os dados e no esforço para encontrar um repositório adequado, então por que não publicar o artigo em um jornal diferente e eliminar os custos e os gastos de tempo?”, indagou Crotty. Não se trata, observa Abel Packer, de fazer trabalho adicional, pois a mudança de paradigma é bem mais profunda. “Estamos falando de novas práticas, nas quais os dados já são organizados durante a realização da pesquisa, de modo que possam ser disponibilizados nos repositórios e sejam inteligíveis e reutilizáveis para outros usuários”, afirma.
© YSANGKOK / WIKIMEDIA
Sala de controle de satélite meteorológico operado pela Agência Espacial Europeia e a Organização Europeia para Exploração de Satélites Meteorológicos, em Darmstadt, Alemanha
Sala de controle de satélite meteorológico operado pela Agência Espacial Europeia e a Organização Europeia para Exploração de Satélites Meteorológicos, em Darmstadt, Alemanha
O armazenamento de dados científicos em repositórios e sua reutilização é uma das preocupações do recém-lançado Programa FAPESP de Pesquisa em eScience, expressão que resume o desafio de pesquisa para organizar, classificar e garantir acesso ao gigantesco volume de dados gerados continuamente em todos os campos de pesquisa, a fim de extrair novos conhecimentos e fazer análises abrangentes e originais. “Não se deve imaginar que basta o pesquisador fazer odownload de um dado contido num repositório para utilizá-lo num novo estudo”, diz Claudia Bauzer Medeiros, professora do Instituto de Computação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coordenadora-adjunta de programas especiais eScience da FAPESP. “O compartilhamento de dados para reutilização ou reprodução de experimentos exige conhecer sua origem e entender como foram produzidos, associando à informação métodos, algoritmos ou técnicas adotados, e ainda ter acesso ao software necessário para processá-los, o que torna o processo bastante complexo. Sem isso, pode não ser possível reproduzir o experimento original ou reutilizar o dado em uma outra pesquisa”, afirma a professora, que lembra que a primeira chamada de propostas do programa eScience está aberta até 28 de abril. Um dos alvos do programa é a pesquisa relacionada a repositórios de dados. “Esperamos que os projetos apresentados, que deverão envolver pesquisa conjunta em computação e em outras áreas do conhecimento, contribuam na criação de metodologias e modelos de dados para criar repositórios, e em formas mais eficientes de descrever o conteúdo e estruturá-lo, para poder recuperá-lo”, explica. “Não é suficiente, por exemplo, descrever dados por palavra-chave. Se um pesquisador quiser reutilizar aquele dado para um propósito diferente dificilmente o encontrará por palavra-chave”, afirma.
Este tipo de esforço de pesquisa inspirou o Nature Publishing Group, que edita a revistaNature, a lançar uma nova revista a partir de maio. Trata-se da Scientific Data, publicação on-line em acesso aberto voltada para descrever não novos achados científicos, mas sim os datasets (conjuntos de dados) de pesquisas consideradas valiosas. O objetivo é promover a documentação, intercâmbio e reutilização dos dados que sustentam as pesquisas, em modo aberto, para acelerar o passo das descobertas científicas. Para atingir este objetivo, os editores da revista introduziram um metadado (dados a respeito de outros dados) chamado data descriptor. Na revista, estes metadados devem fornecer descrições detalhadas de conjuntos de dados em ciências da vida, biomédicas e ambientais, com foco exclusivo em como eles foram produzidos, por quem e como podem ser reutilizados por pesquisadores independentes. “Os metadados dotam os dados científicos com identidade e documentação padronizada e com capacidade de serem acessíveis nas buscas, interoperáveis com diferentes sistemas naweb, reutilizáveis em outras pesquisas e citáveis”, diz Abel Packer.
O princípio da reprodutibilidade das pesquisas é o dínamo mais importante para a criação dos repositórios de dados de pesquisa. Uma quantidade não desprezível de descobertas científicas acaba não sendo confirmada após sua publicação, por problemas que incluem erros e fraudes, mas que também se estendem a falsos resultados positivos ou negativos obtidos de boa fé. O problema assombra pesquisadores e revistas científicas, obrigados a cancelar a publicação de trabalhos cujos resultados soavam promissores, e tornou-se um pesadelo para empresas farmacêuticas e de biotecnologia. Segundo reportagem recente da revista The Economist, pesquisadores de uma empresa de biotecnologia, a Amgen, constataram que era possível reproduzir apenas seis entre 53 estudos considerados “marcos” na pesquisa do câncer.
© USGS
Arquivo de imagens de sensoriamento remoto do Serviço Geológico dos Estados Unidos
Arquivo de imagens de sensoriamento remoto do Serviço Geológico dos Estados Unidos
“Além de verificar a validade dos resultados, o acesso e reutilização de dados também permitem fazer novas pesquisas e estudos comparativos combinando dados de origens diferentes”, diz Abel Packer. “Para as agências de fomento, trata-se de um avanço importante, pois permite gerar mais conhecimento a partir de um mesmo investimento.” A experiência mostra que os pesquisadores têm dificuldades em manter os dados primários disponíveis ao longo do tempo. Um artigo publicado em dezembro na revista Current Biologymostrou que as informações que servem de base a artigos científicos vão se perdendo ao longo do tempo. Os autores esquadrinharam 516 artigos da área de ecologia publicados entre 1991 e 2011 – e foram ver o que aconteceu com os dados primários. Constataram que os artigos publicados nos dois anos anteriores estavam acessíveis, mas as chances de isso acontecer com os publicados anteriormente caíam a uma taxa de 17% ao ano. “Cedo ou tarde, o software que permite acessar um arquivo ou banco de dados vai ficar obsoleto. Há uma área da pesquisa em computação, chamada curadoria, voltada para preservar os aparatos computacionais e garantir não apenas a qualidade, mas também a preservação de dados para seu uso futuro, ou pelo menos os considerados mais valiosos”, diz Claudia Bauzer Medeiros.
Um desafio ainda em aberto é desenvolver um modelo para financiar os serviços ligados a essa nova etapa. “As taxas eventualmente cobradas pelos repositórios não são altas, mas alguém tem que financiar. Atualmente, instituições e programas de pesquisa, por exemplo na área de genética e de proteínas, criaram repositórios desse tipo e financiam o armazenamento e a disponibilização dos dados”, diz Abel Packer, referindo-se a casos como o do GenBank, banco de dados de sequências de DNA e de aminoácidos do Centro Nacional de Informação Biotecnológica dos EUA. Num esforço para organizar mais de 600 repositórios e desenvolver metodologias, foram criados dois catálogos que trabalham de forma cooperativa. Um deles é o Biosharing.org, sediado na Universidade de Oxford, que reúne a lista de repositórios de dados de ciências biológicas, como DNA e proteínas. O segundo é o Registry of Research Data Repositories, financiado pela Fundação de Pesquisa da Alemanha, que compila os repositórios das demais ciências, inclusive as sociais.
A biblioteca SciELO Brasil deverá ter até o final do ano uma política definida para o arquivamento em repositórios dos dados das pesquisas publicadas em suas revistas seguindo padrões internacionais. “Estamos estudando se é mais recomendável criarmos um repositório próprio da biblioteca SciELO além das alianças com repositórios já existentes”, afirma Abel Packer. No Brasil a criação de repositórios de dados científicos ainda é incipiente. Um exemplo pioneiro de banco de dados advindo de projetos científicos é o criado para o Sistema de Informação Ambiental (SinBiota), que reúne e integra as informações produzidas em projetos vinculados ao Programa Biota-FAPESP. O SinBiota permite analisar a distribuição das espécies catalogadas no território paulista sobre uma base cartográfica digital. “Quem está organizando um movimento de dados abertos é o Ministério do Planejamento, mas a preocupação é com dados públicos governamentais, não dados de pesquisa”, observa Hélio Kuramoto, tecnologista sênior do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict) e um estudioso do movimento de acesso aberto a pesquisas científicas. Várias universidades brasileiras, inclusive as três estaduais de São Paulo, criaram repositórios para reunir sua produção científica – um grande avanço, mas que ainda não considera o armazenamento dos dados que amparam tais pesquisas.
© BEL FALLEIROS
Entre as revistas científicas brasileiras, um exemplo raro com política de publicação semelhante à da PLoS é o daBrazilian Political Science Review(BPSR), vinculada à Associação Brasileira de Ciência Política. A BPSR é uma revista de acesso aberto, publicada exclusivamente em inglês em formato eletrônico. Desde o ano passado, os autores de artigos cujo conteúdo se baseia em métodos quantitativos são solicitados a disponibilizar, no próprio site da revista, os bancos de dados que embasaram o paper e também os chamados codebooks, dicionários que permitem a identificação das variáveis empregadas nos bancos de dados. A medida elevou os custos de manutenção da revista, que necessita de ajuda de um profissional para manter o repositório. “O princípio que orientou a adoção desta iniciativa é um princípio básico da ciência, que consiste em viabilizar a replicação dos procedimentos que levaram às conclusões obtidas em um trabalho de investigação. Caso o leitor queira refazer os cálculos de modo a saber se as conclusões estão corretas, é preciso que os dados que lhe serviram de base estejam disponíveis publicamente, isto é, sem que o leitor precise contar com a boa vontade dos autores da pesquisa para fornecê-los”, explica Marta Arretche, professora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP) e coeditora da revista, juntamente com Janina Onuki, professora do Instituto de Relações Internacionais da USP. Outra motivação é a possibilidade de ampliar a repercussão dos artigos publicados na revista. Marta Arretche cita estudo feito sobre o Journal of Peace Research, também da área de ciência política e relações internacionais. O estudo concluiu que artigos do periódico que disponibilizam dados primários têm duas vezes mais citações do que os demais.
“Uma terceira motivação está relacionada ao custo de produzir bancos de dados, que é muito alto. Os repositórios permitem coletivizar esses custos e aumentar as oportunidades de entrada a um tema de pesquisa”, diz a professora, que é coordenadora do Centro de Estudos da Metrópole (CEM), um dos 17 Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) financiados pela FAPESP. O CEM, a partir dos anos 2000, tornou-se conhecido por produzir e disseminar dados georreferenciados sobre ass principais metrópoles brasileiras, disponibilizando em seu site, gratuitamente, diversas bases de dados. Segundo a professora, a maior parte dos autores da revista lida bem com a exigência da oferta dos dados. “Eles têm alguns receios legítimos, como a possibilidade de que alguém use os dados sem dar o devido crédito, embora a revista deixe claro que é necessário citar a fonte. Já pensamos em exigir que os usuários se identifiquem como requisito para ter acesso aos dados, mas isso feriria o espírito do acesso aberto à publicação científica. Outros autores gostariam de utilizar intensamente as informações antes de disponibilizá-las. Há, de fato, uma tensão entre o princípio da replicação e o princípio da autoria, mas o da replicação tem prevalecido”, afirma.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Blog Prática da Pesquisa

Caro leitor(a),
Recebemos a Indicação do Blog Prática da Pesquisa e estamos repassando a informação para todos.
O objetivo desse blog é compartilhar conhecimentos e experiências sobre práticas da pesquisa, orientações para elaboração de trabalhos acadêmicos, monografias, TCCs, dissertações, teses, artigos entre outros.
Segue o link de acesso: http://www.praticadapesquisa.com.br/p/sobre-o-autor.html


quarta-feira, 24 de abril de 2013

Revista Archeion Online UFPB

A revista Archeion Online é um periódico eletrônico na área de arquivologia e tem por objetivo estimular e publicizar artigos produzidos pelos discentes dos cursos de graduação em Arquivologia e áreas afins. É de periodicidade semestral publicando artigos originados da pesquisa de iniciação científica, da prática nos estágios, da extensão universitária e dos trabalhos de conclusão de curso. Com o propósito de difundir o ensino, a pesquisa e a extensão em torno da Arquivologia, o periódico contribui para o alinhamento entre teoria e prática profissional atendendo à natureza de ciência social aplicada da Arquivologia bem como da interdisciplinaridade com áreas afins.
 
Temos a honra de informar a todos que a revista intitulada Archeion Online já encontra-se no Portal de Periódicos da Universidade e seu processo para submissão de artigo científico encontra-se aberta.
 
Endereço do portal: http://periodicos.ufpb.br