Até o próximo dia 30 de janeiro estão abertas as inscrições para o curso EADFormação para a Gestão do Patrimônio Cultural Imaterial no âmbito da COOP SUL, uma realização do Centro Lucio Costa (CLC), em parceria com o Centro Regional para a Salvaguarda do Patrimonio Cultural Imaterial (Crespial), com apoio da UNESCO e coordenação técnica da Inspire | Gestão Cultural. São 50 vagas para o curso que acontecerá entre os dias 19 de fevereiro e 04 de maio, com aulas ministradas pela internet. O curso tem a coordenação de conteúdo de Lucas dos Santos Roque e o corpo docente é formado por especialistas do Brasil e da América Latina. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo site www.inspirebr.com.br/ead. A seleção dos participantes ocorrerá no dia 10 de fevereiro.
Estruturado em oito disciplinas, o curso tem como objetivo fortalecer as capacidades locais para estruturação e execução de políticas de patrimônio imaterial, nos estados e municípios brasileiros, por meio da capacitação de gestores culturais para atuarem na salvaguarda do patrimônio cultural imaterial – legislação, identificação, reconhecimento, apoio e fomento à sustentabilidade. Também permitirá analisar e discutir os principais conceitos relacionados ao patrimônio cultural brasileiro em suas diferentes dimensões e interações com aspectos de identidade, território e meio ambiente, incentivando o espírito crítico dos participantes e qualificando-os para desempenhar ações mais efetivas e conscientes nesta área específica. O curso é voltado para gestores públicos na área do Patrimonio Cultural Imaterial, responsáveis pela gestão de políticas de salvaguarda deste tipo de patrimônio.
Nos primeiros dias do curso, será ministrada a disciplina Ambientação em EAD, que tem como objetivo quebrar uma possível resistência dos alunos em relação à aprendizagem virtual, otimizar a utilização dos recursos da plataforma do curso e explicitar a metodologia adotada.
Também serão oferecidas as disciplinas:
- Ambientação em espaços virtuais e introdução ao funcionamento do curso;
- A constituição do campo do patrimônio imaterial e seus conceitos estruturantes;
- A Convenção para a salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial (Convenção de 2003) e as suas Diretrizes Operativas;
- A Gestão Pública do PCI;
- A participação da comunidade na Gestão do PCI;
- Diferentes possibilidades e metodologias de apoio, fomento, divulgação e promoção do PCI;
- Diferentes possibilidades e metodologias de reconhecimento, identificação, investigação e documentação do PCI;
- Transversalidade e interfaces do Patrimônio Imaterial.
Outras informações podem ser obtidas no site www.inspire.com.br ou pelo telefone (31) 3274.4953. Os e-mails para contato são suporte@inspirebr.com.br e michelleantunes@inspirebr.com.br
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quarta-feira, 14 de janeiro de 2015
Abertas inscrições para curso a distância sobre Patrimônio Imaterial
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
I SEMINÁRIO NACIONAL DE MEMÓRIA SOCIAL
Os docentes e discentes do Programa de Pós-graduação em Memória Social da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) convidam toda comunidade a participar do I Seminário Nacional de Memória Social que ocorrerá nos dias 08, 09 e 10 de maio de 2013.
O evento tem como objetivo promover o intercâmbio entre as diferentes áreas e o debate entre os pesquisadores das Ciências Humanas.
Pretende-se promover e aprofundar o debate sobre as mais recentes pesquisas que abordam Memória, Educação, Literatura, Patrimônio, Espaço e Movimentos Sociais das sociedades contemporâneas - memória como parte integrante da vida social. A Memória Social é tida, assim, como lugar de disputas, incluindo processos múltiplos de produção, articulação e remanejamento das lembranças e esquecimentos dos diferentes sujeitos sociais. As redes de poderes imperam nas sociedades em íntima conexão com a construção das memórias, gerando tensões entre identidade, alteridade e produção da diferença nos grupos sociais e nos diversos espaços e lugares da memória coletiva - o local, o regional, o nacional e o global. Dentro desse universo, abordam-se os monumentos, documentos e representações dos saberes, celebrações e formas de expressão nos diversos domínios da prática social.
Investimento
Alunos da Graduação: R$ 20,00
(*) Alunos da Graduação da UNIRIO R$ 10,00
Alunos de Pós-Graduação: R$ 30,00
Apresentadores de Trabalhos: R$ 20, 00
O evento tem como objetivo promover o intercâmbio entre as diferentes áreas e o debate entre os pesquisadores das Ciências Humanas.
Pretende-se promover e aprofundar o debate sobre as mais recentes pesquisas que abordam Memória, Educação, Literatura, Patrimônio, Espaço e Movimentos Sociais das sociedades contemporâneas - memória como parte integrante da vida social. A Memória Social é tida, assim, como lugar de disputas, incluindo processos múltiplos de produção, articulação e remanejamento das lembranças e esquecimentos dos diferentes sujeitos sociais. As redes de poderes imperam nas sociedades em íntima conexão com a construção das memórias, gerando tensões entre identidade, alteridade e produção da diferença nos grupos sociais e nos diversos espaços e lugares da memória coletiva - o local, o regional, o nacional e o global. Dentro desse universo, abordam-se os monumentos, documentos e representações dos saberes, celebrações e formas de expressão nos diversos domínios da prática social.
Investimento
Alunos da Graduação: R$ 20,00
(*) Alunos da Graduação da UNIRIO R$ 10,00
Alunos de Pós-Graduação: R$ 30,00
Apresentadores de Trabalhos: R$ 20, 00
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
Congresso dos EUA divulga arquivo com fotos do período da 2ª Guerra
Todas as fotos foram tiradas entre 1939 e 1944
Foto: Bilbioteca do Congresso dos EUA, Divisão de Fotografias e Material Impresso/BBC Brasil
A Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos disponibilizou seus
arquivos com mais de 1.600 fotografias coloridas no Flickr, em um
projeto aberto ao público em geral, que pode acrescentar comentários,
notas e tags.
Todas as fotos foram tiradas entre 1939 e 1944 por fotógrafos que trabalhavam para a Farm Security Administration (FSA, ou Agência de Segurança Agrícola, em tradução livre) e para Office of War Information (OWI, ou Escritório de Informação de Guerra, em tradução livre. As imagens dos então agentes da FSA e do OWI mostram a vida cotidiana nos Estados Unidos, incluindo Porto Rico e as Ilhas Virgens.
As imagens originais são transparências coloridas que vão de um tamanho de 35 milímetros a 4 x 5 polegadas e têm como foco a rotina agrícola e os trabalhadores envolvidos em construção civil e aviação durante a Segunda Guerra Mundial.
O lançamento desta iniciativa-piloto tem como objetivo mostrar setores inéditos do acervo desta que é uma das maiores bibliotecas do mundo e de parceiros que se interessem pela ideia.
Espera-se que "instituições de patrimônio histórico que se juntem ao projeto compartilhem imagens de suas coleções fotográficas -sem restrições de direitos autorais conhecidas- como uma forma de aumentar a visibilidade dessas coleções com o público em geral". Veja as imagens.
Fonte: http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI6365641-EI8141,00-Congresso+dos+EUA+divulga+arquivo+com+fotos+do+periodo+da+Guerra.html
Todas as fotos foram tiradas entre 1939 e 1944 por fotógrafos que trabalhavam para a Farm Security Administration (FSA, ou Agência de Segurança Agrícola, em tradução livre) e para Office of War Information (OWI, ou Escritório de Informação de Guerra, em tradução livre. As imagens dos então agentes da FSA e do OWI mostram a vida cotidiana nos Estados Unidos, incluindo Porto Rico e as Ilhas Virgens.
As imagens originais são transparências coloridas que vão de um tamanho de 35 milímetros a 4 x 5 polegadas e têm como foco a rotina agrícola e os trabalhadores envolvidos em construção civil e aviação durante a Segunda Guerra Mundial.
O lançamento desta iniciativa-piloto tem como objetivo mostrar setores inéditos do acervo desta que é uma das maiores bibliotecas do mundo e de parceiros que se interessem pela ideia.
Espera-se que "instituições de patrimônio histórico que se juntem ao projeto compartilhem imagens de suas coleções fotográficas -sem restrições de direitos autorais conhecidas- como uma forma de aumentar a visibilidade dessas coleções com o público em geral". Veja as imagens.
Fonte: http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI6365641-EI8141,00-Congresso+dos+EUA+divulga+arquivo+com+fotos+do+periodo+da+Guerra.html
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
Patrimônio em perigo – Especial Arquivos Públicos Estaduais
O Arquivo Público do Piauí não tem um único documento digitalizado. E muito menos climatização adequada ou atendimento informatizado. Situação se repete em outras tantas instituições do Brasil
Cristina Romanelli
Foto do Arquivo público de Sergipe
Deu na Internet: o Arquivo Público do Piauí (APPI) digitalizará mais de um milhão de documentos. A notícia, publicada no início deste ano, deixaria muitos pesquisadores felizes, mas não passa de um alarme falso. Até hoje, o arquivo não tem um único documento digitalizado. E muito menos climatização adequada ou atendimento informatizado. Para quem acha que esses males são privilégio do Piauí, convém conhecer melhor a dura realidade dos acervos públicos do país. Paraíba e Tocantins, por exemplo, não têm sequer arquivo público estadual. No Amapá, o arquivo só existe, literalmente, no papel.
“O arquivo do Piauí tem um dos maiores acervos do Nordeste. Mas muitos documentos dos séculos XVII e XVIII ainda estão em caixas, sem catalogação. Muita coisa está se perdendo”, lamenta a historiadora Claudete Maria Miranda, professora aposentada da UFPI. A equipe do arquivo reconhece a situação. “O governo não libera recursos. Faz muitos anos que temos o sonho de digitalizar documentos. Não sei de onde partiu o boato desse projeto de digitalização. Conseguimos uma verba de R$ 400 mil faz algum tempo, mas até agora não recebemos”, conta Terezinha Cortez, arquivista e ex-diretora do APPI.
Em Sergipe, o quadro também é desalentador. O arquivo tem problemas de acessibilidade e poucos funcionários capacitados. “Ele está organizado de forma muito precária, e a conservação da documentação está bem ruim. Não tem nada informatizado, você tem que fazer a transcrição manualmente. A digitalização nunca foi prioridade. Isso tudo é um obstáculo ao conhecimento”, afirma, indignada, Edna Maria Mattos Antônio, historiadora da Universidade Federal de Sergipe.
O caso do Arquivo Público da Bahia (APB) vem sendo divulgado na imprensa desde fevereiro de 2011, quando a energia foi cortada por risco de incêndio [ver “Memória em apuros”, RHBNnº 78]. “O prédio não comporta mais a documentação. Há alguns meses, o setor de arquivos privados foi transferido por risco de desabamento do piso”, denuncia Urano de Andrade, historiador da UFBA. Segundo a diretora do APB, Maria Teresa Matos, até o fim de outubro seria concluída a primeira etapa das obras no sistema elétrico. A segunda etapa ainda não tem prazo previsto. E em relação à mudança de prédio, nenhuma alternativa foi encontrada até agora.
Os problemas nos arquivos são quase sempre os mesmos, principalmente nas regiões Norte e Nordeste. Procurado pela RHBN, o Conselho Nacional de Arquivos (Conarq), do Arquivo Nacional, passou a bola adiante. “Nós apoiamos os arquivos, mas não podemos intervir. Os próprios diretores acharam melhor ter autonomia e constituir o Fórum Nacional de Arquivos Públicos Estaduais”, afirma Domícia Gomes, da Coordenação de Apoio ao Conarq. No entanto, segundo Márcio de Souza Porto, diretor do Arquivo Público do Estado do Ceará e um dos principais envolvidos no Fórum, a instituição não pode fazer quase nada em termos de execução.
Para Margareth Silva, vice-presidente da Associação dos Arquivistas Brasileiros (AAB), o motivo de tantos casos semelhantes é mesmo o descuido dos governos estaduais. Mas o Arquivo Nacional também teria sua parcela de culpa. “O Arquivo fez uma série de decretos e resoluções, mas não tratou de uma política nacional, com metas claras e fiscalização de atividades. Sem isso, os arquivos não vão conseguir crescer”, argumenta.
Fonte: http://www.revistadehistoria.com.br/secao/em-dia/patrimonio-em-perigo-especial-arquivos-publicos-estaduais
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
Patrimônio ameaçado pelo tempo, o clima e a burocracia
Sem trabalhos de restauro, Arquivo Público do Ceará conserva documentos de forma precária
Um mundo de papel à procura de conservação. No entanto, só a restauração poderia salvar parte do acervo de documentos do Arquivo Público do Ceará, cujo trabalho necessita de uma intervenção urgente. O motivo é agilizar a tarefa que era realizada, até o mês de setembro, por três estagiários formados pela Escola de Artes e Ofícios Thomaz Pompeu Sobrinho, sob a coordenação da técnica Isa Lessa Mendes, responsável pelo laboratório de conservação e restauração do Arquivo Público do Ceará.
Estagiários
do Arquivo Público do Estado do Ceará trabalham na conservação da
documentação cartorial dos séculos XIX e XX: a equipe de jovens não
conseguiu renovar seu vínculo com a instituição para os próximos três
meses FOTO: NATASHA MOTA
O trabalho realizado parece mais o de "formiguinha" diante da mar de papeis, alguns irrecuperáveis devido ao alto grau de deterioração. A poeira é outra inimiga dos que trabalham e pesquisam no equipamento, já que os livros que se encontram à venda, logo na entrada, são cobertos de pó. A equipe só realiza o trabalho de conservação, devido à falta de infraestrutura e de pessoal para o restauro.
Os
processos guardados em caixas de papelão, dispostos em estantes
abertas, sofrendo as ações do tempo e do clima são mostras de que a
memória do Estado está em perigo. A prova são livros desgastados que, de
tão desidratados, esfarelam-se, caso sejam manuseados. Nem pensar em
fotografar ou escanear porque o desastre seria ainda maior, adverte a
técnica que demonstra sensibilidade ao falar sobre o assunto.
Precariedade
No Arquivo Público, trabalha-se na manutenção e recuperação de documentos dos séculos XVIII e XIX, provenientes das câmaras municipais do Ceará. "Hoje, trabalhamos com a conservação", explica a coordenadora Isa Lessa, afirmando que a restauração ainda não está em funcionamento. Por enquanto, o trabalho consiste na higienização, folha a folha, de cada processo e o acondicionamento em pastas.
Alguns documentos já limpos estão guardados em caixas de material apropriado de cor branca, dentro de pastas de papel neutro, e cada folha revestida em um tipo de plástico especial para este fim. No momento, estão sendo trabalhados os documentos das câmaras dos municípios de Acaraú, Beberibe, Aquiraz, Arneiroz, Crato, Cascavel e Baturité. "São documentos oficiais de todos os municípios cearenses", diz, esclarecendo que alguns estão digitalizados.
A
técnica está há quatro meses à frente do laboratório, sempre
trabalhando com estagiários num espaço pequeno, com ventilação precária e
que mal comporta os equipamentos (mesas de higienização, de luz, sucção
e prensa secadora). Um ventilador em cima de uma cadeira de plástico
melhora a ventilação do ambiente. A sala de pesquisa fica na parte
superior do equipamento, localizado na Rua Senador Alencar, no Centro.
Os usuários reclamam da demora para encontrar um documento, sendo
necessário sorte para aquele procurado estar higienizado e pronto para
ser utilizado. Alguns não têm mais condições de ser pesquisados ou
manuseados. Dessa maneira, parte da memória daquele município e,
consequentemente, do Estado está indo embora.
Sem renovação
Os estagiários trabalham por três meses. Porém, no momento, foi negada a renovação do estágio, conforme o diretor do Arquivo Público do Ceará, Márcio Porto. "Não temos muitos profissionais na área da restauração aqui", afirma Isa Lessa. Ela mesma tem formação técnica na área. Um dos requisitos para ser restaurador é ter formação em História, Química ou Biblioteconomia.
A coordenadora de Escola de Artes e Ofícios Thomaz Pompeu Sobrinho, Nilde Ferreira, afirma que a primeira turma de 40 jovens foi formada entre 2006 e 2008. Na escola, são ofertados cursos técnicos livres. Nilde lamenta que as empresas não consigam absorver essa mão de obra. E, nem tampouco, os órgãos públicos. "O campo de trabalho é enorme", diz, informando que a Escola forma turmas todos os anos em preservação de bens móveis.
Na esfera pública, o impedimento é a burocracia para a absorção desses profissionais. Nilde pretende formar um banco de dados, de acordo com cada área, atingindo colecionadores privados, explicando que esses profissionais têm condições de fazer uma higienização correta nos acervos. "Eles são especializados nisso", acrescenta.
O ideal é que um acervo, seja de livros ou de objetos de arte, mantenha-se conservado para garantir a sua manutenção. A higienização periódica é um dos caminhos para que não chegue ao estágio extremo da restauração. A formação oferecida na escola é ampla e diversa para a conservação dos bens móveis e imóveis. Esses profissionais sabem manusear, fazer uma higienização correta em obras de arte e auxiliar em seu eventual restauro.
Perfil
Enquanto a burocracia impede que os jovens continuem trabalhando na área, eles tecem sonhos entre papéis, poeira e produtos químicos. Ronaldo Rocha de Araújo, 25 anos, terminou o segundo curso de conservação. "Quero fazer Arquitetura", responde sem hesitar sobre qual a profissão que pretende seguir. Promete juntar teoria e prática, enquanto participa de oficinas e novos cursos que aparecem. Roberto Moreira Chaves, 18 anos, descobriu a vocação profissional na Escola. "Quero fazer História", diz com o entusiasmo peculiar aos jovens, aproveitando para fazer uma declaração de amor à arte.
"Sempre gostei de arte. Adoro", vibra o jovem, afirmando que já tinha interesse pelo acervo documental da família. Conta que pratica no Arquivo Público e em casa o que aprende. Ronaldo Rocha trabalhou na restauração de uma obra de Vicente Leite, enquanto Roberto Chaves orgulha-se de ter participado do restauro da obra da pintora cearense Sinhá D´Amora. "Faltava pigmento",explica, afirmando que o trabalho estava muito comprometido com cupins na tela. "A tela do Vicente Leite estava muito degradada", lembra Ronaldo Rocha.
Kellen Neres, 19 anos, que antes fazia trabalho voluntário, descobriu na Escola a sua vocação para a Arquitetura e Urbanismo. "Ou Engenharia Civil. Não conhecia muito sobre essas áreas", confessa, completando ter se identificado muito com essa área da conservação e restauração. A estudante avisa que o trabalho exige habilidade por muito meticuloso. "Um pequeno pontinho na página do livro pode ser um fungo", explica, afirmando que as pessoas devem aprender a cuidar dos acervos, no caso dos livros, fazer o manuseio e a higienização corretos. "Assim vai facilitar o nosso trabalho", brinca. (IS)
Fonte: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=1189733
Um mundo de papel à procura de conservação. No entanto, só a restauração poderia salvar parte do acervo de documentos do Arquivo Público do Ceará, cujo trabalho necessita de uma intervenção urgente. O motivo é agilizar a tarefa que era realizada, até o mês de setembro, por três estagiários formados pela Escola de Artes e Ofícios Thomaz Pompeu Sobrinho, sob a coordenação da técnica Isa Lessa Mendes, responsável pelo laboratório de conservação e restauração do Arquivo Público do Ceará.
O trabalho realizado parece mais o de "formiguinha" diante da mar de papeis, alguns irrecuperáveis devido ao alto grau de deterioração. A poeira é outra inimiga dos que trabalham e pesquisam no equipamento, já que os livros que se encontram à venda, logo na entrada, são cobertos de pó. A equipe só realiza o trabalho de conservação, devido à falta de infraestrutura e de pessoal para o restauro.
Precariedade
No Arquivo Público, trabalha-se na manutenção e recuperação de documentos dos séculos XVIII e XIX, provenientes das câmaras municipais do Ceará. "Hoje, trabalhamos com a conservação", explica a coordenadora Isa Lessa, afirmando que a restauração ainda não está em funcionamento. Por enquanto, o trabalho consiste na higienização, folha a folha, de cada processo e o acondicionamento em pastas.
Alguns documentos já limpos estão guardados em caixas de material apropriado de cor branca, dentro de pastas de papel neutro, e cada folha revestida em um tipo de plástico especial para este fim. No momento, estão sendo trabalhados os documentos das câmaras dos municípios de Acaraú, Beberibe, Aquiraz, Arneiroz, Crato, Cascavel e Baturité. "São documentos oficiais de todos os municípios cearenses", diz, esclarecendo que alguns estão digitalizados.
Sem renovação
Os estagiários trabalham por três meses. Porém, no momento, foi negada a renovação do estágio, conforme o diretor do Arquivo Público do Ceará, Márcio Porto. "Não temos muitos profissionais na área da restauração aqui", afirma Isa Lessa. Ela mesma tem formação técnica na área. Um dos requisitos para ser restaurador é ter formação em História, Química ou Biblioteconomia.
A coordenadora de Escola de Artes e Ofícios Thomaz Pompeu Sobrinho, Nilde Ferreira, afirma que a primeira turma de 40 jovens foi formada entre 2006 e 2008. Na escola, são ofertados cursos técnicos livres. Nilde lamenta que as empresas não consigam absorver essa mão de obra. E, nem tampouco, os órgãos públicos. "O campo de trabalho é enorme", diz, informando que a Escola forma turmas todos os anos em preservação de bens móveis.
Na esfera pública, o impedimento é a burocracia para a absorção desses profissionais. Nilde pretende formar um banco de dados, de acordo com cada área, atingindo colecionadores privados, explicando que esses profissionais têm condições de fazer uma higienização correta nos acervos. "Eles são especializados nisso", acrescenta.
O ideal é que um acervo, seja de livros ou de objetos de arte, mantenha-se conservado para garantir a sua manutenção. A higienização periódica é um dos caminhos para que não chegue ao estágio extremo da restauração. A formação oferecida na escola é ampla e diversa para a conservação dos bens móveis e imóveis. Esses profissionais sabem manusear, fazer uma higienização correta em obras de arte e auxiliar em seu eventual restauro.
Perfil
Enquanto a burocracia impede que os jovens continuem trabalhando na área, eles tecem sonhos entre papéis, poeira e produtos químicos. Ronaldo Rocha de Araújo, 25 anos, terminou o segundo curso de conservação. "Quero fazer Arquitetura", responde sem hesitar sobre qual a profissão que pretende seguir. Promete juntar teoria e prática, enquanto participa de oficinas e novos cursos que aparecem. Roberto Moreira Chaves, 18 anos, descobriu a vocação profissional na Escola. "Quero fazer História", diz com o entusiasmo peculiar aos jovens, aproveitando para fazer uma declaração de amor à arte.
"Sempre gostei de arte. Adoro", vibra o jovem, afirmando que já tinha interesse pelo acervo documental da família. Conta que pratica no Arquivo Público e em casa o que aprende. Ronaldo Rocha trabalhou na restauração de uma obra de Vicente Leite, enquanto Roberto Chaves orgulha-se de ter participado do restauro da obra da pintora cearense Sinhá D´Amora. "Faltava pigmento",explica, afirmando que o trabalho estava muito comprometido com cupins na tela. "A tela do Vicente Leite estava muito degradada", lembra Ronaldo Rocha.
Kellen Neres, 19 anos, que antes fazia trabalho voluntário, descobriu na Escola a sua vocação para a Arquitetura e Urbanismo. "Ou Engenharia Civil. Não conhecia muito sobre essas áreas", confessa, completando ter se identificado muito com essa área da conservação e restauração. A estudante avisa que o trabalho exige habilidade por muito meticuloso. "Um pequeno pontinho na página do livro pode ser um fungo", explica, afirmando que as pessoas devem aprender a cuidar dos acervos, no caso dos livros, fazer o manuseio e a higienização corretos. "Assim vai facilitar o nosso trabalho", brinca. (IS)
Fonte: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=1189733
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