A
Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB), instituição vinculada ao
Ministério da Cultura, convida para comemoração dos 40 anos do
Arquivo-Museu de Literatura Brasileira (AMLB). O evento acontece no dia 4
de dezembro, às 17 horas, na FCRB. Na ocasião será apresentado o Guia
do Acervo do Arquivo-Museu de Literatura Brasileira e também
serão prestados depoimentos de doadores, colaboradores e servidores
sobre a trajetória do arquivo.
A História do AMLB
A criação do AMLB atendia a um apelo de Carlos Drummond de Andrade que, em sua coluna do Jornal do Brasil de 11 de julho de 1972, lamentava a falta de um museu de literatura como defesa contra as perdas da nossa memória literária:
Velha fantasia deste colunista ¾ e digo fantasia porque continua dormindo no porão da irrealidade ¾
é a criação de um museu de literatura. Temos museus de arte, história,
ciências naturais, carpologia, caça e pesca, anatomia, patologia,
imprensa, folclore, teatro, imagem e som, moedas, armas, índio,
república... de literatura não temos [...].
Mas falta o
órgão especializado, o museu vivo que preserve a tradição escrita
brasileira, constante não só de papéis como de objetos relacionados com a
criação e a vida dos escritores. É incalculável o que se perdeu, o que
se perde por falta de tal órgão. Será que a ficção, a poesia e o ensaio
de nossos escritores não merecem possuí-lo?
O museu de
letras, que recolhesse espécimes mais significativas, prestaria um bom
serviço. ANDRADE, Carlos Drummond de. “Museu: fantasia?”. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 11 jul. 1972.
O
sonho tornou-se realidade e, em 28 de dezembro de 1972, foi instalado
na sede da FCRB, um velho casarão da Rua São Clemente, o Arquivo-Museu
de Literatura Brasileira. O AMLB instalou-se, acanhadamente, no sobrado
da velha mansão, mais precisamente na Sala Estado de Sítio, pois, no
Museu Casa de Rui Barbosa, cada sala possui um nome ligado a
acontecimentos da vida de Rui.
Para a divulgação de seu acervo, o AMLB promoveu ao longo desses anos
exposições que levaram o nome de Memória Literária. A primeira foi
inaugurada em 4 de junho de 1974, comemorativa do recebimento da
milésima peça, que foi doada por Plínio Doyle. É o poema inédito de
Machado de Assis, “Os pássaros”, escrito em 1868.
Em março de 1975 o AMLB inaugura sua terceira exposição, Memória
Literária II em homenagem à Academia Brasileira de Letras, assinalando o
registro das peças 2000/2001. A peça de número 2000 é nada mais nada
menos do que um manuscrito de José de Alencar, ofertado por Raimundo
Magalhães Júnior, e a de número 2001, os originais do romance Til,
doação da família Lúcio de Mendonça. Tal gesto mereceu de Raquel de
Queirós a crônica “Um tesouro”, publicada no Jornal do Comércio em 5 de
janeiro de 1975.
O arquivo crescia. Os documentos, que corriam o risco de ficar
dispersos entre familiares e amigos dos escritores, iam chegando.
Inicialmente a doação era tímida. Logo o “arquivo-museu menino” começou a
ganhar credibilidade, cresceu e firmou-se como um centro respeitável e
sério, com o seu trabalho reconhecido tanto no Brasil como no exterior.
Assim, as peças não mais chegavam isoladamente.
Em
1978, com a construção do prédio anexo ao Museu Casa de Rui Barbosa, o
arquivo ganhou espaço para crescer. Criado com o objetivo de preservar a
memória literária de nosso país, o AMLB possui trezentos e trinta e
sete metros lineares de arquivos de escritores brasileiros que
representam diferentes movimentos literários. Assim, em relação ao
parnasianismo, constam, dentre outros, Antonio Sales e Bastos Tigre; no
que tange ao simbolismo, destaca-se seu maior representante no Brasil,
Cruz e Souza; já entre os modernistas estão Manuel Bandeira, Clarice
Lispector e Carlos Drummond de Andrade, para citar apenas alguns.
O
arquivo reúne hoje em seu acervo 137 arquivos privados de escritores
brasileiros, além de uma coleção de documentos avulsos, coletados
esparsamente ao longo desses anos. Possui também considerável acervo
museológico constituído por cerca de 1200 peças de natureza diversa. São
móveis, quadros, máquinas de escrever, canetas, medalhas, selos,
lembranças de viagens, peças de indumentária, esculturas, pinturas,
caixas de música e muitos outros objetos, formando uma coleção
heterogênea, que tem um único denominador comum: terem pertencido a
nossos escritores, ou estarem a eles relacionados.
Fonte: http://www.casaruibarbosa.gov.br/interna.php?ID_S=9&ID_M=2465
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