terça-feira, 4 de dezembro de 2012

40 anos do Arquivo-Museu de Literatura Brasileira



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A Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB), instituição vinculada ao Ministério da Cultura, convida para comemoração dos 40 anos do Arquivo-Museu de Literatura Brasileira (AMLB). O evento acontece no dia 4 de dezembro, às 17 horas, na FCRB. Na ocasião será apresentado o Guia do Acervo do Arquivo-Museu de Literatura Brasileira e também serão prestados depoimentos de doadores, colaboradores e servidores sobre a trajetória do arquivo.
A História do AMLB
A criação do AMLB atendia a um apelo de Carlos Drummond de Andrade que, em sua coluna do Jornal do Brasil de 11 de julho de 1972, lamentava a falta de um museu de literatura como defesa contra as perdas da nossa memória literária:
Velha fantasia deste colunista ¾ e digo fantasia porque continua dormindo no porão da irrealidade ¾ é a criação de um museu de literatura. Temos museus de arte, história, ciências naturais, carpologia, caça e pesca, anatomia, patologia, imprensa, folclore, teatro, imagem e som, moedas, armas, índio, república... de literatura não temos [...].
Mas falta o órgão especializado, o museu vivo que preserve a tradição escrita brasileira, constante não só de papéis como de objetos relacionados com a criação e a vida dos escritores. É incalculável o que se perdeu, o que se perde por falta de tal órgão. Será que a ficção, a poesia e o ensaio de nossos escritores não merecem possuí-lo?
O museu de letras, que recolhesse espécimes mais significativas, prestaria um bom serviço. ANDRADE, Carlos Drummond de. “Museu: fantasia?”. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 11 jul. 1972.
O sonho tornou-se realidade e, em 28 de dezembro de 1972, foi instalado na sede da FCRB, um velho casarão da Rua São Clemente, o Arquivo-Museu de Literatura Brasileira. O AMLB instalou-se, acanhadamente, no sobrado da velha mansão, mais precisamente na Sala Estado de Sítio, pois, no Museu Casa de Rui Barbosa, cada sala possui um nome ligado a acontecimentos da vida de Rui.
            Para a divulgação de seu acervo, o AMLB promoveu ao longo desses anos exposições que levaram o nome de Memória Literária. A primeira foi inaugurada em 4 de junho de 1974, comemorativa do recebimento da milésima peça, que foi doada por Plínio Doyle. É o poema inédito de Machado de Assis, “Os pássaros, escrito em 1868.
            Em março de 1975 o AMLB inaugura sua terceira exposição, Memória Literária II em homenagem à Academia Brasileira de Letras, assinalando o registro das peças 2000/2001. A peça de número 2000 é nada mais nada menos do que um manuscrito de José de Alencar, ofertado por Raimundo Magalhães Júnior, e a de número 2001, os originais do romance Til, doação da família Lúcio de Mendonça. Tal gesto mereceu de Raquel de Queirós a crônica “Um tesouro”, publicada no Jornal do Comércio em 5 de janeiro de 1975.
            O arquivo crescia. Os documentos, que corriam o risco de ficar dispersos entre familiares e amigos dos escritores, iam chegando. Inicialmente a doação era tímida. Logo o “arquivo-museu menino” começou a ganhar credibilidade, cresceu e firmou-se como um centro respeitável e sério, com o seu trabalho reconhecido tanto no Brasil como no exterior. Assim, as peças não mais chegavam  isoladamente.
Em 1978, com a construção do prédio anexo ao Museu Casa de Rui Barbosa, o arquivo ganhou espaço para crescer. Criado com o objetivo de preservar a memória literária de nosso país, o AMLB possui trezentos e trinta e sete metros lineares de arquivos de escritores brasileiros que representam diferentes movimentos literários. Assim, em relação ao parnasianismo, constam, dentre outros, Antonio Sales e Bastos Tigre; no que tange ao simbolismo, destaca-se seu maior representante no Brasil, Cruz e Souza; já entre os modernistas estão Manuel Bandeira, Clarice Lispector e Carlos Drummond de Andrade, para citar apenas alguns.
O arquivo reúne hoje em seu acervo 137 arquivos privados de escritores brasileiros, além de uma coleção de documentos avulsos, coletados esparsamente ao longo desses anos. Possui também considerável acervo museológico constituído por cerca de 1200 peças de natureza diversa. São móveis, quadros, máquinas de escrever, canetas, medalhas, selos, lembranças de viagens, peças de indumentária, esculturas, pinturas, caixas de música e muitos outros objetos, formando uma coleção heterogênea, que tem um único denominador comum: terem pertencido a nossos escritores, ou estarem a eles relacionados. 
Fonte: http://www.casaruibarbosa.gov.br/interna.php?ID_S=9&ID_M=2465

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