Fonte: Congresso em Foco (8.mai.2012) | Autora: Mariana Haubert | Foto: Wilson Dias/ABr
Desde que a lei foi sancionada, em 18 de novembro de
2011, vários órgãos federais liderados pela CGU, órgão mentor da lei, e
pela Casa Civil iniciaram o processo para redigir a regulamentação. Há
dois meses, o ministro da CGU, Jorge Hage, lamentou a demora na edição
do documento e afirmou que ele era imprescindível para responder às
dúvidas de vários órgãos da administração pública. “Nós gostaríamos que
já tivesse saído, até porque faz falta para a orientação sobre
determinados assuntos que nós temos que dar aos ministérios e aos vários
órgãos. Há muitas perguntas que precisamos responder aos órgãos que
estão dependendo dessa regulamentação. Mas ela não é simples”, disse
Hage, na época.
Apesar de a regulamentação valer apenas para a
administração federal, estados e municípios têm usado a falta do decreto
como desculpa para não se preparar para atender às demandas da lei.
Isso porque pretendem seguir as linhas adotadas pela administração
federal para adotar seus critérios. “A falta da regulamentação não é um
impeditivo para que os órgãos se preparem. A lei já estabelece os
critérios básicos para a adequação dos órgãos. O nosso entendimento era
de que não dependíamos da regulamentação para iniciar o processo de
adequação tanto da CGU quanto dos outros órgãos federais que
auxiliamos”, disse Vânia Vieira.
Dominó ao contrário
Na prática, porém, não foi assim que as coisas aconteceram. Sem a regulamentação, foram pouquíssimos os órgãos – seja em nível federal como nos estados e municípios – que se prepararam para atender às demandas do cidadão na forma estabelecida pela lei. É um efeito-dominó ao contrário: se o governo federal atrasa a regulamentação para o Executivo, os demais poderes também se paralisam, e paralisam os estados, que paralisam os municípios. Assim como estava previsto que Dilma fizesse, os demais poderes e os governos estaduais e municipais também teriam que editar seus decretos.
Na prática, porém, não foi assim que as coisas aconteceram. Sem a regulamentação, foram pouquíssimos os órgãos – seja em nível federal como nos estados e municípios – que se prepararam para atender às demandas do cidadão na forma estabelecida pela lei. É um efeito-dominó ao contrário: se o governo federal atrasa a regulamentação para o Executivo, os demais poderes também se paralisam, e paralisam os estados, que paralisam os municípios. Assim como estava previsto que Dilma fizesse, os demais poderes e os governos estaduais e municipais também teriam que editar seus decretos.
Um dos pontos polêmicos a serem apresentados na
regulamentação, por exemplo, será a obrigatoriedade de divulgação dos
salários pagos a servidores públicos. Desde que a notícia se espalhou,
grupos do funcionalismo têm pressionado gestores contra a publicidade
dos dados. Essa determinação joga por terra qualquer argumentação de que
o detalhamento dos vencimentos dos servidores seria uma invasão de
privacidade.
Por ter divulgado os chamados supersalários –
vencimentos que ultrapassam o teto previsto na Constituição, que é o
salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal – o Congresso em Foco
foi processado por 46 servidores em 50 ações judiciais. Porém, com base
exatamente nos preceitos constitucionais de publicidade e transparência,
que a Lei de Acesso reforça, as varas de Justiça de Brasília têm dado
ganho de causa ao site até agora.
A Lei de Acesso vale tanto para a esfera federal
quanto para a estadual e a municipal. Contudo, estados e municípios
ainda patinam na implementação das regras. Um exemplo de que a lei
entrará em vigor sem que os governos estejam preparados foi o anúncio
feito ontem (7) pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin,
informando que a Casa Civil criou um grupo de trabalho para que o Estado
se adeque ao que estabelece a legislação federal de acesso a
informação. Segundo Alckmin, a lei significa um “grande avanço em
transparência do serviço público”.
Legislação
Desde o início do ano, a CGU treinou mais de 500 servidores públicos que atuarão nos Serviços de Informação ao Cidadão (SICs), espaços físicos obrigatórios em todos os órgãos públicos para atender e orientar o público quanto ao acesso às informações, informar sobre a tramitação de documentos em suas respectivas unidades, além de protocolar documentos e requerimentos de acesso a informações.
Desde o início do ano, a CGU treinou mais de 500 servidores públicos que atuarão nos Serviços de Informação ao Cidadão (SICs), espaços físicos obrigatórios em todos os órgãos públicos para atender e orientar o público quanto ao acesso às informações, informar sobre a tramitação de documentos em suas respectivas unidades, além de protocolar documentos e requerimentos de acesso a informações.
Segundo Vânia Vieira, os treinamentos deverão
continuar, depois da publicação da regulamentação. “Vamos dar
continuidade a esse processo. Temos previsto mais uma etapa de
treinamento que será realizado assim que o decreto sair. Também
pretendemos fazer um balanço dos primeiros dias da entrada em vigor da
lei”, explicou.
Cada ministério terá também uma página na internet,
com um conjunto mínimo de informações que serão prestadas aos cidadãos. O
servidor que se recusar a prestar a informação solicitada ou fornecê-la
de forma incorreta poderá ser punido com advertência, suspensão e até
mesmo com demissão.
A Lei de Acesso acaba com o sigilo eterno de
documentos e o estabelece como exceção. Os dados públicos podem ser
classificados como ultrassecretos, secretos e reservados. Os documentos
secretos ficarão sob sigilo por um prazo máximo de 25 anos. Os secretos,
por 15 anos, e os reservados, por cinco anos. Todo esse novo processo
de catalogação, no entanto, precisa ser iniciado em todos os órgãos da
administração.
Qualquer cidadão poderá pedir informações, sem
apresentar qualquer motivo, sobre dados, documentos, atividades
exercidas por órgãos públicos, inclusive aquelas relativas à sua
política, organização e serviços, além de dados sobre aplicação de
recursos públicos.
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